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quinta-feira, 28 de junho de 2012

AGORA É TARDE. INÊS É MORTA!

o que significa a expressão ines é morta?
Aconteceu da mísera e mesquinha, que despois de ser morta foi Rainha
                                                                       (Luís de Camões)


"Agora é tarde, Inês é morta!" A expressão, tantas vezes ouvida e repetida, tem origem em um romance que se perde no tempo, entre Dom Pedro, de Portugal, herdeiro da Coroa e filho de Dom Afonso, e Inês de Castro, filha bastarda de um notável cavaleiro galego, primo de Dom Pedro, com a portuguesa Aldonza Suárez de Valladares.
Dom Pedro não consegue se furtar a casar-se com Constança, em união arranjada. Entretanto, apaixona-se pela bela Inês, de loiros cabelos e olhos verdes.
Morta Dona Constança, o romance que era mantido às escondidas passa a ser aberto e morarem os amantes na companhia um do outro.
Contrário à união, Dom Afonso decide pela morte da amante do filho. Em 1355 foi degolada Inês (diz-se, na frente de seus filhos, netos do rei) e seu corpo fora levado à igreja de Santa Clara.
Dom Pedro revolta-se. Dois anos mais tarde, quando morre Dom Afonso IV, Dom Pedro I, em uma de suas primeiras decisões, extradita, para o país de origem deles, dois dos responsáveis pela morte de Inês. Segundo o mito, um teve o coração arrancado pelo peito, o outro, teve o órgão retirado pelas costas. O terceiro nobre português, corresponsável pela morte de Inês, foge para a França.
A lenda propaga que Pedro determinou que a ossada de Inês fosse retirada do túmulo, limpada e remontada. Posta no trono, promoveu o novo rei o beija-a-mão e o coroamento do cadáver. Também conta-se que dispusera o seu túmulo e o de sua amada, no referido mosteiro, com as lápides postas não lado a lado, mas pé com pé, para que, chegado o juízo final, pudessem acordar olhando, cada qual, um nos olhos do outro.
De certo temos que o corpo de Inês foi trasladado a uma bela lápide, construída no Mosteiro de Alcobaça, em 1361, que leva a inscrição de que teria sido morta como rainha. D. Pedro I, a despeito de ter ou não coroado o corpo defunto revelara, em 1360, ter-se casado secretamente com ela. São verdadeiros a bela estátua erguida em homenagem à rainha, e as grandiosas exéquias promovidas pela ocasião do transporte do corpo.
Assim, Inês é conhecida como a rainha que o foi depois de morta.


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Diversas versões foram propaladas, mantendo-se o fundo da história e da lenda. Uma dessas narrativas é a contada por Camões, nos Lusíadas (vide recorte do texto, logo abaixo, grifado).
Dos relatos consultados, o que entendo fidedigno é o narrado por Antony C. Bezerra, Mestre e doutorando em Teoria da literatura pela Universidade Federal de Pernambuco e Professor de Literatura portuguesa e Literatura da língua inglesa na Universidade Salgado de Oliveira, em Recife, disponível em http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=511.
No mesmo caminho de amores impossíveis entre amada e príncipe temos o caso brasileiro de outro Pedro, também primeiro, e sua Domitila (Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos), que encerra desfecho menos dramático. É pena que os jovens de hoje não conheçam o romance ao estilo Romeu e Julieta entre o príncipe brasileiro e a bela plebeia. Pensei que fosse um caso ou outro. Perguntei, pesquisei e é certo: a juventude conectada desconhece a história paralela tão recente.
Esta, porém, é outra história.

A VERSÃO DE CAMÕES EM OS LUSÍADAS:

«Passada esta tão prospera vitória,
Tornado Afonso à Lusitana terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste, e dino da memória
Que do sepulcro os homens desenterra.
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que despois de ser morta foi Rainha.
«Tu só, tu, poro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
«Estavas, linda lnês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saüdosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
«Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.
«De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,
«Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra üa fraca dama delicada?
«Traziam-a os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade;
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela, com tristes e piedosas vozes,
Saídas só da mágoa e saüdade
Do seu Príncipe e filhos, que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava,
«Pera o céu cristalino alevantando,
Com lágrimas, os olhos piedosos
(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos);
E despois nos mininos atentando,
Que tão queridos tinha e tão mimosos,
Cuja orfindade como mãe temia,
Pera o avô cruel assi dizia:
«Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas aéreas têm o intento,
Com pequenas crianças viu a gente
Terem tão piadoso sentimento
Como co a mãe de Nino já mostraram,
E cos irmãos que Roma edificaram:
«Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar üa donzela,
Fraca e sem força, só por ter subjeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.
«E se, vencendo a Maura resistência,
A morte sabes dar com fogo e ferro,
Sabe também dar vida com clemência
A quem pera perdê-la não fez erro.
Mas, se to assi merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,
Onde em lágrimas viva eternamente.
«Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre liões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co amor intrínseco e vontade
Naquele por quem mouro, criarei
Estas relíquias suas, que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste.»
Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.
Arrancam das espadas de aço fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra üa dama, ó peitos carniceiros,
Feros vos amostrais - e cavaleiros?
«Qual contra a linda moça Policena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela, os olhos com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha)
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:
«Tais contra Inês os brutos matadores,
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que despois a fez Rainha,
As espadas banhando, e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniçavam, férvidos e irosos
No futuro castigo não cuidosos.
«Bem puderas, ó Sol, da vista destes,
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia!
Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetistes!
«Assi como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lacivas maltratada
Da minina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal está, morta, a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas e perdida
A branca e viva cor, co a doce vida.
«As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores!
«Não correu muito tempo que a vingança
Não visse Pedro das mortais feridas,
Que, em tomando do Reino a governança,
A tomou dos fugidos homicidas;
Do outro Pedro cruíssimo os alcança,
Que ambos, imigos das humanas vidas,
O concerto fizeram, duro e injusto,
Que com Lépido e António fez Augusto.
«Este, castigador foi rigoroso
De latrocínios, mortes e adultérios;
Fazer nos maus cruezas, fero e iroso,
Eram os seus mais certos refrigérios.
As cidades guardando, justiçoso,
De todos os soberbos vitupérios,
Mais ladrões, castigando, à morte deu,
Que o vagabundo Alcides ou Teseu.

imagem: pensando.mgpds.jpg.http://www.blogger.com/profile/14087164358419572567

23 de maio de 2012, por Maria da Glória Perez

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Maria da Gloria Perez Delgado Sanches 

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Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

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